Síndicos já sabem que um dos principais desafios da gestão condominial é lidar com os diversos conflitos que surgem no dia a dia. Um dos mecanismos que pode ser utilizado para facilitar os tratamentos conflituosos é a mediação.

A mediação é uma forma de facilitar a negociação de conflito na qual as partes, por livre e espontânea vontade aceitam que um terceiro imparcial ajude a resolver a situação (que no nosso caso poderia ser o próprio síndico), a onde este atuaria como facilitador da comunicação de modo que pudessem superar suas divergências e chegar a um acordo.

Em termos legais, não há exigência de formação específica para a atuação do mediador de conflitos particulares, o chamado mediador extrajudicial, que atua fora dos tribunais, porém, é recomendável sim que esse mediador tenha certos conhecimentos das técnicas que ele pode utilizar.

Diferenças entre a Mediação e a Ação Judicial

JUDICIAL

Para uma ação judicial é necessário, antes de tudo, um advogado. O profissional vai entrar com o processo onde, as partes envolvidas têm um tempo para levantarem os dados necessários para se defender.

Tendo como exemplo um processo de dano moral, entre moradores do condomínio, atualmente, os processos da área civil devem passar por uma audiência. Se o acordo não ocorrer, depois há um julgamento e uma condenação, quando o réu pode recorrer, ou não; A média de duração de um processo desse tipo pode variar entre um a dois anos.

MEDIAÇÃO

Já a mediação, dura em média, de uma a três reuniões com as partes envolvidas.

Se for chegado a um acordo, no final, é redigido um documento e assinado pelas partes como um título executivo extrajudicial.

Caso as partes cheguem a um acordo, um termo com força de título executivo extrajudicial é redigido e assinado.

Quais técnicas o mediador pode utilizar?

– Escuta ativa
A escuta ativa é uma técnica na qual passamos a prestar mais atenção ao que o outro tem a dizer, não apenas nas palavras, mas também na linguagem não-verbal como gestos, expressões faciais, entre outras coisas.

Ao ouvir com mais atenção conseguimos compreender melhor as necessidades e os desejos do outro, podemos colher certas informações e as utilizar para produzir uma solução positiva.

Existem alguns passos que podem te ajudar a executar essa técnica da melhor forma possível:

  • Mantenha o contato visual com a pessoa com a qual está falando;
  • Tenha a mente aberta a todo momento para não julgar ou tirar conclusões precipitadas;
  • Faça perguntas para ter a certeza de que a outra parte entendeu as informações da forma correta;
  • Se coloque no lugar da pessoa, isso o ajudará a compreender melhor as suas opiniões e emoções.

– Recontextualização
Essa técnica é utilizada quando o mediador quer que as partes vejam por outro ponto de vista. Esta estratégia ajuda para que todos vejam não só os pontos negativos do conflito e sim mudar as atenções para os pontos positivos.

– Rapport
O rapport é uma das principais técnicas utilizadas na mediação, pois é ela que consegue criar empatia entre as partes e um maior vínculo com o mediador, fazendo que os participantes confiem nele para guiar a mediação.

– Caucus
Apesar do nome ser um pouco diferente, essa técnica do caucus é bastante utilizada.

O mediador se reúne, de forma privada, com cada uma das partes, com sessões de mesma duração e uma após a outra. Ela é utilizada em casos que a comunicação entre as partes esteja realmente difícil.

A mediação tem o potencial de despertar nos moradores a conscientização que eles compartilham no mesmo espaço, que possuem singularidades próprias e formulam opiniões diferentes.

E com a ajuda de um bom mediador, seja ele contratado, cedido pela administradora do condomínio, ou sendo o próprio síndico, a convivência dentro do espaço condominial pode ser mais harmoniosa.