12/08/08

A política que falta
Cerca de 8 milhões de famílias de baixa renda seguem desprovidas de condições mínimas de acesso a uma moradia digna

 
 

Favorecida pelo aquecimento imobiliário e pelos investimentos em obras de infra-estrutura, a construção civil bateu novo recorde e criou no país mais empregos no primeiro semestre de 2008 do que em todo o ano de 2007. Segundo levantamento do SindusCon-SP e da FGV Projetos, o setor contratou 229 mil trabalhadores com carteira assinada de janeiro a junho, uma alta de 106% em relação ao número de vagas geradas no mesmo período do ano passado.

Ainda no primeiro semestre, 128,4 mil moradias foram financiadas com R$ 12,9 bilhões de recursos da Caderneta de Poupança, valor 86,6% superior ao registrado no mesmo período de 2007, segundo a Abecip (entidades de crédito imobiliário).

Esses números significam que mais famílias estão conseguindo realizar o sonho da casa própria e que o país tem expandido sua infra-estrutura para remover gargalos ao desenvolvimento.

Entretanto, uma questão social continua sem solução satisfatória. Cerca de 8 milhões de famílias de baixa renda seguem desprovidas de condições mínimas de acesso a uma moradia digna – um direito constitucional.

O prejuízo social é imenso. As cidades se deterioram com as favelas e cortiços. As famílias afetadas se desagregam. Seus integrantes adoecem freqüentemente com a baixa qualidade de vida e a ausência de saneamento. A exclusão social e a criminalidade aumentam. O Estado é obrigado a gastar mais em saúde e segurança.

Falta uma política de Estado de Habitação de Interesse Social que ultrapasse o período transitório dos mandatos eleitorais e conte com recursos permanentes, para garantir o direito à moradia digna. Sua adoção terá impactos positivos sobre a saúde, a educação, a segurança e a vida familiar dos brasileiros.


 

Com o objetivo de instituir tal política, foi lançada em junho a Campanha Nacional Moradia Digna – Uma Prioridade Social. Ela reúne os quatro movimentos nacionais pela moradia, as principais centrais sindicais, Frentes Parlamentares pela Habitação e Reforma Urbana, Associações de Cohabs, Fórum dos Secretários Estaduais da Habitação e as entidades nacionais e regionais da construção civil.

Para viabilizar o acesso à moradia, a campanha propugna a desoneração tributária da produção e a desburocratização na aprovação dos projetos de construção dos conjuntos habitacionais.

Propõe também o fortalecimento dos Fundos Nacional, Estaduais e Municipais de Habitação de Interesse Social, mediante o aporte de recursos permanentes para subsidiar as famílias de baixa renda. Para tanto, a campanha defende a aprovação da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) da Habitação. Por ela, no mínimo 2% da arrecadação da União e 1% daquela dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios se destinariam a esses Fundos por 30 anos ou até a erradicação do déficit habitacional. Amanhã, nascerão comitês estaduais da campanha, inclusive o paulista, na Assembléia Legislativa. Na terça-feira, a iniciativa será lançada no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, na Câmara dos Deputados. E, com o apoio de 176 deputados, a PEC da Habitação será protocolada na Mesa da Câmara. Serão passos decisivos para colocar o Brasil na rota do desenvolvimento sustentado.

Fonte: SindusCon-SP

 
   
 
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