18/08/08

São Paulo limpa
Proposta da prefeitura para uma Política Municipal de Mudança Climática chega à Câmara Municipal de São Paulo.

 
 

Já não era sem tempo. O Laboratório de Poluição da USP alertara que em média 12 pessoas morrem por dia na capital em decorrência dos gases tóxicos presentes na atmosfera paulistana. Por conta da poluição, estima-se que a expectativa de vida dos munícipes esteja sendo diminuída em dois anos.

Um dos aspectos positivos da política é o de propor um conjunto de medidas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 30% até 2012. Aí estão incluídas aquelas provocadas pela utilização de combustíveis fósseis, principalmente
gasolina e óleo diesel, que respondem por 90% dos poluentes emitidos por conta do uso de energia. Estes, por sua vez, correspondem a 75% de todos os poluentes da atmosfera da cidade.

Entre as medidas, o estímulo ao transporte coletivo é corretamente priorizado, com a ampliação de corredores de ônibus, a construção de novos terminais e a renovação da frota de trólebus, considerada a mais limpa em termos ambientais. Além disso, a Prefeitura está investindo R$ 1 bilhão nas linhas do metrô.

Enquanto não houver uma efetiva melhora do transporte público, medidas mais radicais como a implantação de pedágio nas vias de maior tráfego devem ser evitadas. Neste sentido, foi correta a decisão da Prefeitura de retirar o pedágio do projeto enviado originalmente à Câmara.

Um ponto polêmico é a manutenção à restrição de circulação de caminhões de carga no horário diurno, na zona delimitada para essa finalidade. O que deveria ser uma medida transitória, a ser reavaliada no fim deste ano, figura na proposta do Executivo como algo definitivo.

 

Como o assunto ainda está em estudos e já ficou patente a necessidade de sua flexibilização em muitos casos, ele não deveria figurar na política para a mudança climática, sob pena de engessar as disposições transitórias vigentes sobre a matéria.

De outro lado, a proposta contém dois aspectos positivos relativos à construção civil. O primeiro é a redução do custo da construção acima do limite (a chamada outorga onerosa) para empreendimentos que utilizarem energias renováveis. A matéria deveria ainda ser posteriormente regulamentada, mas de antemão é louvável o espírito de estimular a inovação tecnológica em favor da preservação ambiental, em vez de punir os que precisarão utilizar energias não-renováveis por razões técnicas ou de viabilidade econômica.

O segundo aspecto positivo é a concessão de licenças ambientais a empreendimentos com significativa emissão de gases mediante medidas de compensação. Possivelmente caberá à próxima gestão municipal abrir-se ao diálogo com a sociedade para a definição conjunta de compensações que não inviabilizem aqueles empreendimentos.

Ainda há muitos pontos interessantes, como o incentivo ao transporte solidário, a regulamentação da circulação dos ônibus fretados e a obrigação de grandes condomínios, shoppings e outros conglomerados implementarem a coleta seletiva de resíduos. Algumas destas medidas já podem ser tomadas pela Prefeitura, independentemente da tramitação na Câmara.

Fonte: Secovi-PR

 
   
 
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