26/08/08

Sustentabilidade começa com bons hábitos
Fundamental é ter em mãos um bom projeto e a partir dele um empreendimento será, de fato, sustentável ambiental e economicamente

 
 

“Enquanto o ser humano não estiver disposto a fazer sacrifícios pessoais no seu dia-a-dia, não creio que a tecnologia possa driblar seus maus hábitos”, opinou o vice-presidente de Tecnologia e Qualidade do SindusCon-SP, Maurício Linn Bianchi, em sua palestra no Fórum Empreendimentos Imobiliários Sustentáveis – Viabilidade, Projeto e Execução, realizado em 19 de agosto pela Editora Pini. Bianchi participou do evento como diretor da sua empresa, BKO Engenharia, e revelou detalhes dos empreendimentos M.O.R.E., que foram concebidos segundo critérios de sustentabilidade.

Ele mostrou que fundamental mesmo é ter em mãos um bom projeto, gerado de forma criteriosa e inteligente, e que somente a partir dele um empreendimento será efetivamente sustentável ambiental e economicamente. Esta foi, inclusive, a principal lição transmitida por alguns dos maiores especialistas da área aos participantes do evento. A preocupação, entretanto, é com a concepção de um bom projeto, pois o mercado ainda considera onerosas as soluções sustentáveis e se ressente de informações sobre alternativas.

O fórum teve como palestrantes também dois colunistas da revista Notícias da Construção, do SindusCon-SP: o engenheiro Luiz Henrique Ceotto, diretor técnico da Tishman Speyer, e o professor da Poli-USP, Vanderley Moacyr John.

Ceotto insistiu na percepção de que os conceitos sustentáveis precisam ser ampliados pelos profissionais da construção civil. O engenheiro disse que os projetos dos edifícios são direcionados para a redução dos custos da execução, quando deveriam priorizar a eficiência operacional.


 

“O impacto do edifício é diretamente proporcional ao custo que ele gera”, sentenciou. Ele apresentou ainda estudos indicativos de que 80% dos custos de empreendimentos comerciais correspondem ao uso e operação do edifício ao longo de 50 anos. Os custos de execução representam 14%, seguidos da adaptação para reuso (5%), concepção e projeto (0,8%) e idealização (0,2%). Ainda segundo os dados apresentados por Ceotto, há 100% de possibilidade de interferências nos custos do empreendimento ao longo de sua vida útil na fase de idealização do projeto. Na concepção e projeto, as chances de interferir caem para 80% e, durante a construção, não passam de 15%. “Durante seu uso, a chance de melhorar seu desempenho é de apenas 5%”, afirmou.

Vanderley John, que também é diretor do CBCS (Conselho Brasileiro da Construção Sustentável), falou sobre a melhoria dos projetos e um maior controle das obras em prol da sustentabilidade. “A sustentabilidade não é uma opção, é imperativa. Quem apostar que poderá fazer ações de marketing sem modificar seus processos e conceitos, no médio prazo morrerá”, disse. Segundo ele, o caminho aponta para a necessidade da redução do consumo de materiais, do aumento no uso de recursos renováveis e da diminuição das perdas.


Fonte: SindusCon-SP

 
   
 
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