Talvez seja quando enfrentamos algum tipo de crise (pessoal ou mundial) que ficamos mais próximos dos nossos medos. Cara a cara mesmo. Medos que a gente nem imaginava que podiam existir.

Os medos são originados em necessidades que deixaram de algum modo de serem atendidas ao longo do nosso desenvolvimento. Assim, temos o medo de não ter o suficiente para sobreviver, de não sermos amados, de não pertencer a nenhum grupo ou lugar e por aí vai.

Como fugir do medo? Impossível. Ele estará lá, nos acompanhando, como um coadjuvante fiel no filme da nossa vida. Para sair dessa armadilha é que “inventamos” a coragem e é por essa razão que muita gente ainda confunde a coragem com a negação do medo. Ambos são irmãos e é por isso que precisamos fazer as pazes com nossos medos e dar as mãos como ato reconciliatório e provocador da coragem.

Coragem também tem a ver com clareza: quanto mais consciência tenho dos meus limites e vulnerabilidades, mais as reconheço até que elas não me assustam mais.  Nessa linha, eu posso errar. A admissão da simples possibilidade do erro já desfaz o monstro e aí sigo em frente, abraçada aos medos, mas já não dependente deles. Essa é a coragem genuína, verdadeira.

O coronavírus traz medo porque desperta sentimentos e emoções múltiplas, desencontradas e muitas vezes até incongruentes. Mexe com nossa vida e nossos negócios. Respire fundo e acolha esses medos com compaixão. E depois, chame a coragem para tomar conta deles e te impulsionar para a ação. Transforme a sua realidade e a dos outros com essa coragem genuína que nasce no reconhecimento da própria vulnerabilidade.